Circuncisão de N. S. Jesus Cristo  

Comemoração Litúrgica:  01 de janeiro. Também nesta data - Santa Maria Mãe de Deus e Santo Odilão

 Santoral da Igreja

 

                                               Ao Rei dos Santos, ao autor de toda a justiça e santidade, a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é dedicado o primeiro dia do novo ano. A Igreja celebra neste a memória da Circuncisão de Nosso Senhor, mistério que, com  diz São Bernardo, merece nossa admiração e amor. O Evangelho relata o acontecimento do modo seguinte: “Oito dias depois de nascido, circuncidaram o menino e deram-lhe o nome de Jesus; nome, que o Anjo já lhe tinha dado antes de concebido”. Quatrocentos anos antes da promulgação da lei mosaica, Deus tinha prescrito a circuncisão a Abraão e seus descendentes. Devia ser: 1) o selo da aliança feita entre Deus e Abraão e seus filhos; 2) a confirmação das promessas que Deus fizera a Abraão, ao pai dos fiéis; 3) o sinal distintivo dos judeus, no meio dos infiéis.

                                               A Circuncisão era o sacramento principal e mais necessário do Antigo Testamento. Era a condição essencial da incorporação ao Povo eleito de Deus. Há Santos Padres que comparam com o batismo, reconhecendo nela um símbolo da purificação do pecado original e da santificação pela graça de Deus. (São Tomás de Aquino).

                                               Jesus Cristo, o supremo legislador, o Santo dos Santos, descendente de Abraão, não de modo natural, mas por obra do Espírito Santo, não estava sujeito à lei da Circuncisão. O desejo de dar-nos um exemplo de humildade e obediência fez com que se sujeitasse à dura determinação mosaica.

                                               A Circuncisão desarma a argumentação dos maniqueus e de outros hereges, que negavam em Jesus Cristo a existência de um corpo real, igual ao nosso.

                                               Revestindo-se a nossa natureza, seu sofrimento não foi imaginário, mas real, como o de nós todos. A Circuncisão removeu todas as dificuldades, que os judeus podiam levantar contra a dignidade de Messias, negando-lhe a filiação de Abraão, da família do qual, segundo a divina promessa, o Salvador havia de descender. Pelo seu exemplo veio Jesus Cristo mostrar, que não tinha intenção de abolir, mas cumprir a antiga lei. Finalmente é a Circuncisão uma prova de amor a nós, uma revelação do desejo de sofrer por nós. A Circuncisão nos é garantia da salvação, que Jesus Cristo mais tarde ia realizar e realizou no altar da cruz. Além disto queria Nosso Senhor dar um exemplo de paciência e humildade aos pecadores, mostrando-lhes que, sendo o Senhor de todos, se humilha à condição de pecador, sofrendo na carne inocente as dores mais pungentes. Menino ainda, pelo exemplo, convida-nos à imitação, como mais tarde nos chama a si, dizendo: “Aprendei de mim. Eu vos dei um exemplo, para que façais como tenho feito”. (Jô. 13,  15).

                                               São Lucas, que de todos os evangelistas é o que mais pormenoriza as circunstâncias do nascimento de Nosso Senhor, quase nada diz sobre a Circuncisão. Não diz o lugar onde a mesma se realizou, nem menciona a pessoa que a executou. É, entretanto, bem motivada a opinião de Santo Epifânio e de outros Santos Padres, segundo a qual Jesus Cristo foi circuncidado no estábulo que o viu nascer e onde recebeu a visita dos Reis Magos. Da Sagrada Escritura sabemos que a Circuncisão, não sendo do ofício sacerdotal, de ordinário era praticada pelo pai da criança. Abraão, que não era sacerdote, circuncidou a Ismael e os filhos dos seus empregados; Sephora, que era mulher, circuncidou o próprio filho. Assim sendo, é provável que a Circuncisão de Nosso Senhor tenha sido feita por São José.

                                               Costume era dos judeus darem à criança o nome por ocasião da Circuncisão. O Arcanjo São Gabriel, portador da celeste mensagem, anunciara à Maria Santíssima o nome de seu divino Filho: “Eis que conceberás – disse o Anjo – e dareis à luz um filho, a quem poreis o nome de Jesus”. Como razão disto, o Anjo acrescentou: “Ele remirá seu povo dos pecados”.(Mt. 1.  21). O nome de Jesus significa, pois: Salvador. Outros homens célebres, antes de Jesus Cristo, eram chamados Salvadores, como Josué, Josedech, Gedeão e Sansão. Eram todos salvadores do seu povo, mas num sentido mui restrito.

                                               Só a Jesus Cristo, nascido da Virgem Imaculada, compete o título pleno de Salvador do mundo, que por Ele foi resgatado, a preço do Seu Divino Sangue.

                                               Entre os Santos Padres, são principalmente São Bernardo, São Bernardino de Siena e São Boaventura, que tecem os maiores elogios ao Santíssimo Nome de Jesus, enaltecendo-lhe o poder e magnificência. São Paulo, em referência a este Santo Nome, já dissera, que  “o Nome de Jesus é acima de todos os nomes; que ao Nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos” (Fil. 2,  9). O próprio Cristo dá-nos uma idéia do poder do seu Nome, afirmando-nos que alcançaremos do Pai tudo o que lhe pedirmos em seu Nome. Falando nas grandes obras que serão feitas em virtude de seu Nome, acrescenta: “Em meu Nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, manusearão serpentes e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e sararão”.(Mc. 16,    17-18).

                                               Os Santos tiveram um grande respeito e profunda veneração ao Santíssimo Nome de Jesus. Era-lhes conforto nas lutas, consolo nas tribulações, escudo contra os inimigos da alma. Nas epístolas de São Paulo, mais de duzentas vezes, se encontra o Nome de Jesus. Os Apóstolos julgaram-se muito honrados, em poderem sofrer alguma coisa por amor ao Nome do divino Mestre. Santo Estevão antes de exalar o espírito, exclamou ainda: “ Senhor Jesus, recebei meu espírito !”(At. 7,  58).

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Referência bibliográfica: Na luz Perpétua,  5ª.  ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais,  1959.